Órgãos municipais cogitam criar rede de enfrentamento à violência doméstica

Em reunião na Câmara de Vereadores, instituições debateram possíveis soluções para as dificuldades que Porto Belo enfrenta no combate à violência contra a mulher  

PORTO BELO – O plenário da Câmara de Vereadores serviu, na tarde desta quinta-feira (28), para que a delegada da Polícia Civil Luana Backes expusesse, a representantes de diversos órgãos municipais, sua proposta de criar uma rede de enfrentamento à violência doméstica no município de Porto Belo.

Estavam presentes representantes da Procuradoria Especial da Mulher, Polícia Militar, Ministério Público, Fórum Municipal, Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Educação, Associação Flor de Lis, Economia Solidária, Conselho da Mulher, Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas), entre outras instituições interessadas em resolver a questão da violência de gênero.

A expectativa é que a cooperação dessas entidades torne o atendimento de mulheres em situação de violência mais efetivo. A percepção atual é a de que, sem o devido respaldo, muitas vítimas desistem de levar a denúncia adiante. Se a rede de fato se estabelecer, a primeira medida será a criação de uma cartilha – que ficará com cada uma dessas instituições – contendo horários de funcionamento, número de telefone para contato e quais as providências cada órgão integrante pode tomar para ajudar a quebrar o ciclo da violência.

Segundo o comandante da Polícia Militar de Porto Belo e Bombinhas, tenente Alex Matias, essas informações são de extrema importância para sua corporação, visto que os policiais militares costumam realizar o primeiro atendimento às vítimas e poderão realizar um encaminhamento mais adequado. Afinal, mesmo que não haja disposição inicial em denunciar, a orientação e o suporte oferecidos por uma rede multidisciplinar é fundamental para a recuperação da autoestima e da confiança necessárias para, inclusive, formalizar a denúncia do agressor.

Também foram debatidas as dificuldades que cada uma das organizações enfrenta, principalmente em relação à falta de recursos – por exemplo, não é possível realizar exames de corpo de delito na cidade – e de preparo de alguns profissionais. A vereadora e procuradora especial adjunta da Mulher Rosaura Rodrigues (PT) considerou boa a proposta da rede, mas acredita que seja preciso avançar nas políticas públicas, melhorando os serviços que já existem. É necessário oferecer meios para que a vítima resolva fazer a denúncia, raciocina, pois, muitas vezes a vítima depende financeiramente de seu algoz.

Após muitas falas, em que cada órgão expressou seu ponto de vista, ficou acertada a execução da cartilha e a realização de novas reuniões, durante as quais serão buscadas soluções para as dificuldades que cada entidade enfrenta, visando fortalecer a rede. 

(Texto: Bárbara Benetti/Assessoria Câmara PB)