Projeto recolhe armações de óculos usadas para doar

Criado por PLP do Legislativo, banco oferece armações à população carente. Secretaria de Saúde coordena recebimentos e doações

Quase todo mundo, em algum momento da vida, tem de assumir que já não vê as coisas tão bem como antigamente. Para uma boa parte, trata-se de um problema de fácil solução: basta ir a um oftalmologista, sair de lá com uma receita e encomendar um par de óculos na ótica de confiança. Para outros, em situação financeira delicada, o buraco é mais embaixo: donde tirar dinheiro para custear a melhora da visão?

Parte do problema foi solucionada por iniciativa da Câmara de Vereadores. Foi dali que saiu a Lei 2648, que desde junho de 2018 encarregou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a instituir um banco de armações de óculos. Isso significa que as unidades de saúde do município recebem armações usadas (que seus proprietários não mais utilizam) e disponibilizam para a população de baixa renda.

Mas a entrega não é aleatória. Segundo Jainara Nordio, secretária municipal de Saúde, os pacientes primeiro são atendidos pelo oftalmologista, e só a partir da consulta e consequente feitura da receita de lentes é que a pessoa é conduzida ao “Barco”, onde fica a Secretaria (na Felix Walendowsky, 327, Perequê), para ali escolher um modelo do seu agrado.

— Muitos vêm encaminhados pelo nosso assistente social, acabam provando e, algumas vezes, até levam mais armações para decidirem — conta Jainara, acrescentando que a Secretaria tem recebido muitas doações. Nos postos de saúde dos bairros, onde há urnas de coleta, nem tanto.

— Mas temos várias, aguardando quem precise delas — assegura.

O vereador Marcos Marques (PRB), que encampou a lei ao lado do colega de plenário Diogo Santos (MDB), explica que a ideia partiu de uma constatação simples: existe muita armação em bom estado largada por aí. Então, por que não fazê-las chegar a quem não possui dinheiro para comprar uma nova?

— É para as pessoas que realmente não têm condição — ele ressalta, sinalizando, com isso, que a medida não deve impactar nos negócios dos comerciantes locais. Inclusive, a Lei 2648 autoriza o Executivo a firmar parcerias com as óticas da cidade para baratear a compra de lentes pelos beneficiários.

Enquanto esse tipo de convênio não sai do papel, Rosa Maria D’Ávila dá o seu jeito. A gestora do Cadastro Único do município — que inclui as famílias beneficiárias do programa Bolsa Família e está vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social — obteve a autorização do titular da pasta, Magno Munõz, para auxiliar famílias que não têm nenhum meio de pagar as lentes. — Gente com renda zero — como ela informa.

Nesse caso, além de fazer chegar as armações até as pessoas, muitas das quais moradores dos rincões mais distantes do município, e trazê-las até as óticas para as medições necessárias, a servidora tem conseguido que alguns estabelecimentos façam os óculos de graça.

Trata-se de uma ação absolutamente voluntária: — Não me custou nada. Faz até bem — considera Rosa, que já conseguiu lentes gratuitas em dez oportunidades — graças ao seu empenho e à solidariedade de alguns empresários do setor: — São pessoas gentis, bondosas — elogia.

Diogo Santos não esconde a satisfação pelos bons resultados da iniciativa. Para ele, o banco de armações é uma forma de “amenizar o problema”, visto que as lentes são o item mais caro do pacote. Mesmo assim, a armação “free” diminui a conta em aproximadamente 150 reais.

— Tanto que tem gente que faz a consulta e depois não faz os óculos — destaca.

De acordo com Elaine Medeiros, coordenadora de Regulação da SMS, atualmente 250 pessoas aguardam por uma consulta com oftalmologista. Como o município não dispõe de um especialista, os casos são repassados para atendimento em Balneário Camboriú e Itajaí via Sistema Único de Saúde (SUS). A prefeitura também realiza convênios com clínicas particulares para agilizar os casos mais urgentes. Pelo SUS, são atendidos em média vinte pacientes, que precisam consultar com o clínico geral na unidade de saúde do bairro para requerer um lugar nessa fila de espera. Ao concluir o processo, o munícipe tem à disposição o banco de armações da Secretaria de Saúde.

Quem, por outro lado, quiser doar, pode deixar a armação usada nas unidades da rede municipal de saúde. Ou dirigir-se até a Câmara de Vereadores, onde também há uma caixa de coleta.